quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente permanecer.

Eugénio de Andrade (pseudônimo de José Fontinhas, Póvoa de Atalaia, 19 de janeiro de 1923 - Porto, 13 de junho de 2005, poeta português)



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